• Angela Cristina Ribeiro – Psicóloga - CRP06/74640

Depressão – “As faces da moeda”

Atualizado: 25 de Nov de 2020


Para iniciar uma conversar sobre depressão se faz necessário, primeiramente, a diferenciação entre síndrome depressiva e vivencias de sintomas depressivos.

Começaremos pensado nos sintomas depressivos; no geral a grande maioria das pessoas já vivenciou o que denominaremos momentos depressivos, por exemplo, quando rompemos um relacionamento; quando vivenciamos situações de perda, luto, separação, conflitos, violência, opressão; situações frente, as quais há prejuízo no desenvolvimento de autoestima e, assim, passamos a direcionar para vida um olhar desacreditador e desconfiado de si mesmo, reforçador desses momentos depressivos. Em situações como esta é comum a sensação de tristeza, vazio, perda de vontade para realizar atividades antes prazerosas, em geral há redução pelo interesse no ambiente.

Para falarmos das “Síndromes Depressivas” que tem diversas outras categorias; como transtornos de humor e bipolar, depressão maior e que, também se associa de forma concomitante com outras síndromes; utilizaremos a classificação do CID.10 que diferencia os sintomas entre psíquicos e fisiológicos.

Sintomas psíquicos: • Humor depressivo; que envolve sensação de tristeza profunda, sentimento de culpa e de autodesvalorização, retraimento social, crises de choro frequentes; • Redução na capacidade de experimentar prazer na maioria das atividades; • Fadiga, cansaço; • Diminuição da capacidade de pensar; ideação suicida.

Sintomas fisiológicos: • Alterações de sono, insônia ou hipersonolência; • Alterações de apetite, perda ou aumento do apetite; • Perde do interesse sexual.

A síndrome depressiva se caracteriza quando seis destes sintomas estão presentes há pelo menos 6 meses. Em suma, os sintomas depressivos são conhecidos pela grande maioria das pessoas ao longo do ciclo vital; a subjetividade e a percepção; além de questões genéticas é que conduzirão ou não para o desenvolvimento de uma síndrome depressiva.

Refletindo metaforicamente, os sintomas são como “algemas” que aprisionam o indivíduo, que pode ou não se libertar; dependerá da resiliência e das possibilidades de tratamento; que incluem os acompanhamentos psicológico e psiquiátricos.

Ainda, pensando, metaforicamente, nas vivencias depressivas, cito aqui a poesia do dramaturgo e poeta Antonio Carlos Vieira:

A pedra, o distraído nela tropeçou... O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a construiu. O camponês cansado da lida, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drumont a poetizou. Já Davi matou Golias, e Michelangelo extraiu a mais bela escultura... Em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem. Não existe pedra em seu caminho que você não possa aproveitá-la para seu próprio crescimento. Das oportunidades saiba tirar o melhor proveito, talvez não tenhamos outra chance.

Que não encaremos os momentos depressivos como “algemas aprisionadoras”, mas como oportunidades de aprimorar nossa capacidade de lapidar pedras, transformando-as em parceiras para a vida e não em pesos anexos.

Diz o ditado popular “após a tempestade sempre vem a bonança”, assim após o luto a força para começar de novo, após a separação a coragem para construir só, após a opressão a determinação de se impor, enfim, como você lapida sua pedra?

Angela Cristina Ribeiro CRP 06/74640 Psicóloga; Analista Junguiana e Terapeuta Comunitária


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