• Angela Cristina Ribeiro – Psicóloga - CRP06/74640

Curiosidade? A luz para o autoconhecimento

Atualizado: 25 de Nov de 2020


Esta reflexão dá-se a partir do conto “A Menina da Lanterna” que relata a estória de uma garota que percebe a luz de sua lanterna se apagando. Frente a esta percepção a menina inicia uma bela jornada na tentativa de reacender sua lanterna.

Nesta jornada ela encontra um ouriço a quem pede ajuda, mas este ocupado com seus filhotes não ajudou, seguindo a garota encontra um urso que não sabia o caminho e não pode ajudar, mas a frente ela encontrou uma raposa que farejando suas presas nem a ouviu.

Cansada e triste a menina conversou com as estrelas que disseram que o sol a ajudaria. Continuou sua jornada e encontrou uma velha fiandeira que não pode ajudar por estar ocupada com sua roca; seguindo encontrou um sapateiro e depois crianças todos ocupados demais para ajudá-la. Cansada dormiu e durante o sono o sol percebendo sua busca acendeu sua lanterna. No caminho de volta a menina encontrou novamente as crianças, a velha, o sapateiro e ajudou a todos com sua luz.

A estória permite a reflexão de nossa própria vida frente às situações em que nos sentimos, desconfiados de nós, inseguros das decisões ou mesmo cegos e inconsciente; sem poder ampliar perspectivas são os momentos onde prevalecem os sentimentos de desamino e medo, a sensação é de que estamos apagados, sem forças e sem luz.

No trilhar de sua jornada a garota encontra pessoas e animais para os quais solicita ajuda, então segue a proposta de que para o enfrentamento das adversidades necessitamos de ajuda, reforçando a importância de que devemos zelar por nossos vínculos afetivos, pois nos momentos de escuridão são pessoas que podemos buscar para nos ajudar a encontrar soluções ou para simplesmente estarem ao nosso lado e compartilharem conosco a luz.

Podemos pensar simbolicamente também que esta ideia de seguir uma jornada ou um caminhar em busca de ajuda pode significar o caminhar para dentro, o caminhar para o autoconhecimento, assim o encontrar animais e pessoas no caminho de dentro pode significar o despertar em mim outras olhares, afetos e sentimentos, ou seja, a possibilidade de me desenvolver e acessar recursos internos antes apagados ou inconscientes.

Então resta a questão como caminhar para dentro?

Para responder esta pergunta vou lançar mão da proposta de Freire que discorre sobre o conceito de curiosidade; expõe à ideia de que a vida exige um provocar constante de nossa curiosidade, segundo o autor “a curiosidade convoca a imaginação, a intuição, as emoções, a capacidade de conjecturar, de comparar, na busca de perfilização do objeto ou do achado de sua razão de ser” (Freire, 1987). Ou seja, a curiosidade de si mesmo leva ao autoconhecimento.

Diante do conceito me propus a refletir as seguintes questões: tenho curiosidade de mim? Caminho para dentro de mim? Como me sinto? Porque me sinto assim? Como percebo o mundo a minha volta e como me entendo nele? O que me faz bem? O que me traz paz?

Perguntas aparentemente simples, mas suas respostas exigem iluminação e consciência – lanterna acesa – ter curiosidade de mim é um processo que me encaminha para a reflexão de como penso, como sinto e como ajo.

Reflexões como essas conduzem a tomada de consciência, que simboliza a lanterna acesa do conto, assim, ter curiosidade de mim é ter em mãos sempre perguntas e diante das vicissitudes, pensar, sentir e agir.

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. 11º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

#autoconhecimento

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