• Angela Cristina Ribeiro – Psicóloga - CRP06/74640

Um lugar no mundo para os introvertidos

Atualizado: 25 de Nov de 2020


Os estudos da psicologia junguiana demostram que os seres humanos apresentam dois tipos básicos de comportamento são os extrovertidos e introvertidos. Nenhum problema em ter um perfil extrovertido ou introvertido, caracterizam-se apenas como maneiras discrepantes de se posicionar no mundo.

De forma rudimentar podemos dizer que o extrovertido é um “ser afável, aparentemente aberto, de boa vontade, se adapta bem em qualquer situação, se relaciona facilmente com pessoas e, não raro, se lança despreocupado e confiante” (Jung, 2011, p. 53 §62), o perfil extrovertido é maioria entre os brasileiros.

O introvertido “é caracterizado por um ser hesitante, reflexivo, retraído, que não se abre com facilidade, que se assusta com os objetos e está sempre na defensiva, gostando de se defender por trás da observação desconfiada” (Jung, 2011, p. 53, §62).

São confundidos muitas vezes com o tímido, cabe diferenciar. A timidez envolve medo e angústia nas interações sociais, a introversão não. Os introvertidos simplesmente preferem estar sozinhos e se sentem bem com isso.

Mas ocasionalmente são vistos como os esquisitos, acusados de frios e distantes, porque são reflexivos e observadores e não reagem de forma expansiva nas conversas, os introvertidos interagem de forma diferenciada, normalmente preferem conversas a dois ou em pequenos grupos, são pessoas que valorizam relações profundas.

Difícil é ser um introvertido, vivenciando em espaço cultural onde essas características são desvalorizadas. É bastante comum ouvir pessoas angustiadas, entristecidas, se sentindo “patinhos feios”, se percebendo como o problema, tentando mudar o posicionamento a fim de tentarem a árdua e impossível tarefa de se encaixarem no mundo.

A grande questão para os introvertidos é se perceberem e se valorizarem como “cisne selvagem”, compreenderem que suas características são apenas diferentes das dos demais e não dificuldades a serem enfrentadas.

O caminho da valorização perpassa pelo autoconhecimento e pela compreensão do quanto suas características são prazerosas, pois o introvertido se sente confortável na posição reflexiva e observadora, a angústia origina-se na tentativa de pareamento com a atitude extrovertida, percebida a priori como a melhor.

Referências

JUNG. Carl Gustav. Psicologia do Inconsciente. Volume VII/1. Petrópolis: Vozes, 2011.

#autoconhecimento #introversão #timidez

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