• Angela Cristina Ribeiro – Psicóloga - CRP06/74640

Filho de peixe, peixinho é...Será?

Atualizado: 25 de Nov de 2020


A produção acadêmica cientifica produz saberes que são de inegável importância para a humanidade, desta forma, um conhecimento para ser considerado científico necessita passar pelo rigor do crivo da produção acadêmica.

Contudo, não podemos negar que há sabedoria nos ditos populares e nos conhecimentos produzidos que não perpassam pelo crivo da ciência. Barreto (2008) defende a integralidade dos saberes populares e científicos.

Tudo isso para pensar a sabedoria que há no dito popular “Filho de peixe, peixinho é”. Jung (2014) defende que parte importante do desenvolvimento da personalidade e do aprendizado dá-se pelo exemplo. Assim, as crianças irão certamente apreender os comportamentos e as lições que os adultos ao seu entorno lhe dão. Aqui reside o perigo!

Conversando com os pais sobre o que desejam para seus filhos, normalmente, ouvimos frases como: que sejam honestos, autônomos, seguros, corajosos, que tenham sucesso e etc. O fator problemático nisto é que os adultos acreditam que virtudes como estas podem ser ensinadas, simplesmente, pelo discurso oral. E a fala não basta.

Então, senhores pais, se desejam que seus filhos sejam corajosos, comecem a conversar com seus medos, querem filhos seguros olhem para suas inseguras e enfrente-as, desta forma, você com absoluta certeza será exemplo e facilitará o desenvolvimento de seu filho.

Comum hoje conversar com pais que investem nos filhos, mas não investem em si, não compreendem que são adultos “preciosos” não para ofertarem bens materiais, mas para serem exemplos de seres humanos plenos. Claro que nossos filhos podem romper com padrões paternos, mas facilitaríamos a jornada caso nos permitíssemos sermos o que desejamos a eles.

Assim, podemos pensar que há veracidade no dito popular em questão, pois se você é um pai estagnado, será exemplo para que seu filho seja também. Compreendamos que este processo na maioria das vezes dá-se inconscientemente sem que se quer notemos. E caso seu filho não rompa com os padrões de insegurança, medo, estagnação e dependência emocional, corre o perigo de passar pela vida dessa forma.

Parece mentira, mas quase que diariamente converso com pais assim, inseguros e educando filhos inseguros, buscam tratamentos para seus filhos, mas não compreendem a importância de serem fortes, íntegros e transparentes.

A jornada para a plenitude e integridade exige autoconhecimento e requer que percebamos comportamentos e atitudes não agradáveis em nós ou como descreve Jung (2014) que integremos aspectos sombrios, revisitando comportamentos e pensamentos que não aceitamos em nós. Esta tarefa é longa e dolorosa, exige coragem para identificarmos nossas imperfeições.

Então, pais mãos à obra.

Referências

BARRETO, Adalberto de Paula. Terapia Comunitária Passo a Passo. Fortaleza: Editora LCR, 2008.

JUNG, Carl Gustav. O desenvolvimento da Personalidade. Volume XVII. Petrópolis: Vozes, 2013.

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